O
lar da família Rodrigues estava muito triste. Em poucos meses haviam falecido os dois
filhos menores, preciosas crianças de poucos anos de idade. O pai estava desfigurado pela
dor. Havia perdido o apetite e durante semanas não podia conciliar o sono. Sua saúde
estava completamente arruinada. Certo dia, porém, o filhinho de quatro anos, que lhes
ficara, disse ao pai: "Paizinho, por que não brincas comigo? Ajuda-me a fazer um
barquinho". Durante duas horas o pai, se entreteve com seu filhinho fazendo um belo
barquinho. Essas foram as primeiras horas de paz mental que o pai conheceu, depois de
meses de dor angustiante. Nessa noite, pôde dormir. No dia seguinte, melhorou seu
apetite. Daí em diante, cada dia dedicou alguns momentos para conviver alegremente com
seu filhinho. Sua dor se esvaiu e a felicidade retornou ao lar.
Esse
caso verídico ilustra quão importante e belo é o companheirismo familiar. Este,
precisamente, será o tema desta lição. Antes, porém, de o abordar plenamente, é bom
que digamos algo sobre a paternidade e a presença dos filhos no lar.
O
propósito supremo do matrimônio é a formação da família, com filhos que alegrem o
coração de seus pais. A conhecida frase de que "um lar sem filhos é como um
jardim sem flores", afirma que a felicidade conjugal só pode ser completa com a
presença de filhos devidamente formados. Isto, não obstante, não significa que, quando
um matrimônio carece de harmonia, a solução consiste em trazer filhos ao mundo. Quando
os cônjuges não combinam seu gênio, tendo dificuldades em ajustar suas personalidades,
é melhor que resolvam suas diferenças antes de trazer deliberadamente outras vidas ao
lar para partilhar suas desgraças. Não é justo que uma criança seja colocada num
lar onde reina a discórdia". O Segredo da Felicidade Conjugal, pág. 217.
1
- A EXPERIÊNCIA DA PATERNIDADE
A
experiência de ser pai produz um gozo transbordante. A chegada de cada filho é como se
fosse um valioso presente, de uma raridade única, capaz de trazer contentamento a seus
possuidores. Efetivamente, os filhos são um presente de Deus aos pais. Um dom divino que
não tem preço. A paternidade, porém, além de ser um gozo, é um privilégio que
proporciona maturidade e bênção aos pais. O homem e a mulher se tornam mais
brandos, compreensivos e joviais quando se entregam de coração à tarefa de criar um
filho. E como as crianças devem aprender dos maiores, também estes devem aprender
grandes lições de seus filhos acerca da vida, enquanto se ocupam em educá-los.
Além
de um privilégio, a paternidade implica também numa sagrada responsabilidade que inclui
muito mais do que oferecer instrução, vestuário ou alimentação para os filhos.
Consiste, acima de tudo, em formá-los para a vida, ajudá-los a desenvolver um bom
caráter e acender neles a chama de um nobre ideal. E esta obra não apenas requer são
conselho, senão também o bom exemplo dos pais. Esta é uma tarefa na qual hão de
participar de igual maneira o pai e a mãe, lembrando-se que haverão de dar conta a Deus
quanto a maneira como se desimcumbirem dessa sagrada missão. GOZO, PRIVILÉGIO,
RESPONSABILIDADE - eis a experiência da paternidade.
2-
O FILHO QUE NÃO CHEGOU
É
comum encontrar famílias compostas pêlos pais e um só filho. Houve tentativas
reiteradas para que a prole fosse aumentada, mas por diversas razões, os outros filhos
não chegaram. Em tal caso, quanta sabedoria devem exercer os pais a fim de não levar a
perder o filho único por meio de uma sobrecarga afetiva concentrada em sua pessoa!
Noutros
casos, os esposos simplesmente não conseguiram ter filhos. Submeteram-se a pacientes
tratamentos médicos, mas não se conseguiu .a concepção. O resultado é um lamentável
sentimento de frustração. Para os esposos que se encontram em tal situação, a
solução efetiva pode ser a adoção de uma ou várias crianças. Procedendo com
prudência, acatando a lei civil vigente e tomando em conta os fatores da idade (tanto a
criança como os pais adotivos), a adoção de um filho, além de ser uma obra altamente
humana e cristã, pode encher de felicidade a vida dos pais. Estes filhos, quando
devidamente integrados no círculo familiar, poderão responder com a mesma medida de
afeio que lhes for propiciada e poderão ser uma grande bênção na sociedade.
As
mudanças saudáveis que se processam em todo bom lar, quando chegam os filhos, aconselham
sua adoção quando os pais não podem procriar.
3
- OS COMPANHEIROS DOS FILHOS
A
comunicação afetiva entre pais e filhos cria o verdadeiro clima de uma família feliz.
Não pode existir amizade, unidade ou harmonia familiar, se não existe uma santa
comunicação entre os membros do lar. E isto, embora pareça tão óbvio e elementar, é
negligenciado com muita freqüência, especialmente nas grandes cidades onde a vida
agitada ocasiona cansaço e fadiga emocional entre o povo, indispondo-o para a aprazível
tertúlia familiar. E assim, por exemplo, é fácil encontrar o esposo, à noite,
concentrado na leitura do jornal ou olhando televisão em casa, sumido no silêncio e
desligado do resto dos seus. Está em comunicação com o mundo exterior pelas notícias,
mas desligado do próprio mundo do seu lar.
4
- BENEFÍCIOS DO COMPANHEIRISMO FAMILIAR
Assinalemos
alguns dos benefícios do companheirismo entre pais e filhos:
1. Os
pais aprendem a conhecer a seus filhos, a interpretar suas reações, anelos e ideais. Os
pais passam a ser os melhores amigos de seus filhos e estes de seus pais.
2.
Cria-se no lar um clima de sociabilidade que dissipa a tristeza e aumenta a alegria. Todos
se divertem vivendo em família; ninguém se sente só.
3.
Facilita-se a tarefa de disciplinar os filhos. Os pais que são amigos dos filhos, reduzem
sensivelmente os problemas da conduta filial.
4. Os
pais mantêm um espírito jovem, enquanto os filhos amadurecem mais rapidamente, quando
há entre eles uma só comunicação.
5.
Criam-se vínculos de afeto e amizade entre os irmãos também, evitando-se assim o ciúme
e as discórdias entre eles.
6.
Desenvolve-se a confiança mútua entre pais e filhos, e estes obedecem a seus pais com a
certeza de ser compreendidos e bem aconselhados. E quando chega a idade das grandes
perguntas, os filhos não buscarão explicações fora, senão as dos próprios pais..
7. O
lar se converte no lugar mais prazenteiro da Terra, com o qual os esposos mantêm sua
felicidade e os filhos rechaçam as "atrações" da rua.
5
- O QUE DIZER E O QUE FAZER
Às
vezes os pais vacilam antes de falar com seus filhos. "Que tema convém abordar? E se
os pequenos perguntarem algo sobre sexo, que lhes diremos?" Tais perguntas são as
que os pais costumam fazer a si mesmos. E, não obstante, não deveriam ser motivo de
preocupação, porque com os filhos se deve proceder com lealdade, franqueza, confiança e
amizade, atendendo suas inquietudes sem criar tabus desnecessários. Os filhos querem
saber a aprender. E se os pais estão capacitados para ser seus mestres, por que não
desimcumbir-se de tão importante missão? Se não possuem esta capacidade, não
deveriam esforçar-se e instruir-se para alcançá-la? Tanto a criança como o
adolescente necessitam encontrar respostas satisfatórias de acordo com sua idade
para suas perguntas e para sua sede de conhecer.
Tudo
o que é positivo, eleva. Todavia, quando a conversa inclui motejo, crítica, ódio ou
impureza, então a atmosfera familiar se torna sombria e adoece com maus sentimentos. E
já que estamos no assunto, refiramo-nos ao fato de que o tom com que se fala se reveste
de importância. O tom sereno e confiante, terno e afetivo, predispõe o ânimo da
família para cultivar o são companheirismo. Quando, porém, se usa o tom nervoso e
autoritário, o clima de amizade se ressente.
6
- COMO É MEU LAR
Depois
de haver considerado o tema desta lição, você como pai ou mãe, compreenderá que o
companheirismo com os filhos é indispensável para a felicidade familiar. O "viver
em família" é uma das maiores delícias que um ser humano pode experimentar.
Entretanto, esse clima de beleza familiar não se pode conseguir por simples casualidade.
É necessário que seja criado e cultivado cada dia; com espírito de amor, amizade,
compreensão e perdão. E tal espírito deve existir primeiramente no coração dos pais.
Os esposos devem desenvolver amor mútuo, bem como amizade e compreensão. E quando
existir entre ambos essa doce comunicação, então será fácil que os filhos participem
da mesma atmosfera.
Na
qualidade de pai ou mãe, pergunte a si mesmo:
1.
Sou realmente amigo de meu cônjuge? Meus filhos percebem isto?
2.
Que faço para manter em meu lar um clima de amizade saudável com meus filhos?
3.
Sou amigo de meus filhos? Dedico algum tempo para conversar, brincar, passear e trabalhar
com eles?
4.
Meus filhos se comprazem em minha companhia, ou se retiram, preferindo outros companheiros
fora do lar?
5.
São eles meus confidentes? Sou compreensivo com eles, e estou capacitado para os
aconselhar em todos os seus problemas?
6. Se
temos dificuldade em educar nossos filhos, não será pelo fato de termos deixado de ser
seus amigos?
7.
Sou justo no trato para com eles, ou tenho meus preferidos?
8.
Como pai, desenvolvo-me o necessário para saber dialogar com meus filhos, mesmo que
tenham mais instrução?
Perguntas
que o filho deve fazer a si mesmo:
1.
Aceito a amizade de meus pais? Sou seu confidente?
2.
Sou amistoso e cavalheiro para com meus irmãos?
3.
Apraz-me estar em casa, ou prefiro estar com meus amigos, longe de meus pais?
4.
Sou carinhoso para com meus pais, e os respeito a ponto de se sentirem felizes ao meu
lado?
5.
Quando planejam sair de férias, acompanho-os com prazer?
Enquanto
você medita nas perguntas precedentes, e toma melhores resoluções em relação as
mesmas, convidamo-lo a continuar estudando as cinco lições restantes de nosso curso.
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